domingo, 28 de abril de 2013
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
Quando tanto faz ser 01FEV ou 04FEV, dá no mesmo.
Por Carlos Chagas -
em 01FEV.2013 - transcrito do site de Cláudio Humberto
Uma página em branco e um grito mudo
em 01FEV.2013 - transcrito do site de Cláudio Humberto
Uma página em branco e um grito mudo
Raras vezes uma Sessão Legislativa começa como a de hoje: desimportante, dispensável e deplorável pela falta de conteúdo. Salvo inusitado, o ano legislativo de 2013 destina-se a passar em branco. Menos pelas contestações da mídia aos candidatos a novos presidentes da Câmara e do Senado, Henrique Eduardo Alves e Renan Calheiros, mais pela falta de interesse da opinião pública pelas atividades parlamentares.
charge de Son Salvador
Também, trabalho não haverá. Inexistem programas de ação para o ano em curso. Nem projetos de importância nem expectativa de votação de leis capazes de alterar a vida do cidadão comum. Numa palavra, pasmaceira, sob o risco de as mesmas práticas fisiológicas continuarem acontecendo.
Dizia o saudoso dr. Ulysses, com humor cáustico, que “pior do que o atual Congresso, só o próximo”. Vale a previsão também para as Sessões Legislativas de cada ano em sequência, caracterizando uma Legislatura que, tudo indica, só será melhor do que aquela a se iniciar em 2015.
charge de Aroeira
Parte do ônus desse vazio deve-se aos partidos. Deles nada se espera, deles nada sairá, confirmando a observação do Barão de Itararé. O PT preocupa-se em não ser atingido mais do que já foi pelo barro jogado no ventilador por seus mensaleiros. Não há sugestões a fazer ao governo Dilma, sequer roteiros para enfrentar questões políticas, econômicas ou administrativas. Nenhuma proposta para ampliar direitos do trabalhador ou tirar a reforma agrária do marasmo.
O PMDB preocupa-se em ocupar espaços no governo, sem outros cuidados senão agradar a presidente Dilma e demonstrar subserviência às suas diretrizes. Nenhum projeto de amplitude nacional, como seria a reforma política ou a recuperação da economia posta em perigoso retrocesso e invulgar sossego.
charge de Edcarlos
Transformado em terceira bancada na Câmara, o novo PSD do ex-prefeito Kassab interessa-se em levar antigos oposicionistas para debaixo do guarda-chuva do palácio do Planalto, sem programa nem estatuto digno de registro.
As demais legendas de apoio ao governo empenham-se apenas em sobreviver. Nem PSB, nem PTB, nem PR, nem PDT, muito menos o PC do B animam-se a apresentar simples palpites para aprimorar as instituições, a legislação ou as agruras sociais à vista de todos. Formam clubinhos envolvidos nos próprios interesses.
charge de Duke
Quanto às oposições, o gato comeu. Que alternativas propõem o PSDB, o DEM e o que restou do antigo Partido Comunista Brasileiro? Nem ao menos parecem organizados para contestar a situação, desesperançados com antecedência da hipótese de substituí-la nas próximas eleições gerais.
Sendo assim, tanto faz como tanto fez se o Legislativo volta a funcionar hoje. Uma página em branco, e um grito mudo.
domingo, 3 de fevereiro de 2013
Cachorro baiano
Enviado pelo paulista de nascimento baiano de adoção, Marcos Maialli.
Aqui na Boa Terra até os cachorros curtem a vida!
sábado, 2 de fevereiro de 2013
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
Por André Carvalho
em 28 de janeiro de 2013
MARTELARAM O SUPERÁVIT
De quando em quando volta às manchetes a questão do sigilo que cerca o uso dos cartões corporativos por membros do governo federal. Reportagem de conceituado jornal paulista dava conta, dias atrás, que mais de 46% dos gastos efetuados através dos quase treze mil cartões em uso receberam a classificação de sigilosos, pelo caráter estratégico das despesas. Gastaram, sigilosamente, em 2012, vinte e um milhões de reais. Quando questionado sobre a natureza dos gastos o governo apela para a segurança nacional e encerra a conversa.
Para alguns cidadãos, pagadores de exorbitantes impostos, o sigilo nos gastos públicos é inconcebível. Entretanto, não existe dúvida de que o princípio da confidencialidade deve ser mantido de forma a não chocar, ainda mais, a sociedade brasileira, principalmente após sabermos dos entremeios da persuasiva secretária Rosemary Noronha.
O sigilo, qualquer deles, abre profundas brechas às especulações, estas sim, por demais críticas à segurança nacional. Meio mundo imagina coisas e mais coisas que a “cumpanheirada” compra com o milagroso e inesgotável dinheiro de plástico, circunstância que acaba levando aos exageros, o que não é o meu caso, mesmo tendo quase certeza de que compraram um martelo, enorme e pesado, produzido na China. Creio que a ferramenta foi adquirida para finalizar um servicinho.
Reminiscências me levam aos infrutíferos anos em que estudei Ciências Contábeis, quando, nas aulas de contabilidade e análise de balanço, era comum ouvirmos a expressão “a martelo” para definir um demonstrativo inconsistente ou manipulado. No jargão contábil dizia-se um balanço “fechado a martelo”.
Todos sabem, até mesmo a revista inglesa The Economist, que o governo federal usou de artifícios contábeis para fechar as contas públicas de 2012. Os Ingleses, elegantes como sempre, referem-se à manobra pouco convencional como “contabilidade criativa” enquanto o ex-ministro Delfim Neto, consultor informal dos governos petistas, a classifica como uma irritante e imaginosa operação para fingir o cumprimento do superávit primário.
Sou mais direto! Na verdade, curto e grosso: juntando alhos com bugalhos deduzo que o governo de Dona Dilma fechou o balanço de 2012 “a martelo”, tal e qual uma bodega da esquina ou uma empresa fraudulenta. Uma martelada que deveria passar despercebida, assim como os gastos com os tais cartões. Mas, não foi o caso!
Deve haver ministros e burocratas do escalão abaixo com calos nos dedos, tantas foram as marteladas que deram. Outros podem estar com assaduras nas mãos tantas foram as chineladas que levaram. Dizem, não sei se é verdade, que um ex-presidente de companhia estatal chorava a cada chibatada recebida. Não sem razão, apiedam-se os amigos, e não sem razão, escracham seus inimigos.
A situação é trágica e o esquema cômico. Transformamo-nos em um país sui generis onde os números e a ciência econômica pouco valem diante do poder central. Tão ruim quanto o uso do martelo é ter a inflação controlada por telefone. Funciona assim: a Presidente Dilma liga para o Prefeito de São Paulo e manda (o poste maior manda no poste menor) não aumentar a tarifa dos ônibus. Depois liga para a Presidente da Petrobras e manda segurar o aumento no preço dos combustíveis. O Ministro da Fazenda liga para o Governador de São Paulo e pede, com o rabinho entre as pernas, para que não aumente a tarifa do metrô. Um outro figurão do Palácio telefona para o alcaide da cidade do Rio de Janeiro e sugere a manutenção do preço da passagem do transporte coletivo. O governador de Pernambuco, coitado, não aguenta mais ligações em busca de apoios e “refrescos”.
Voltamos, pelo visto, ao controle de preços da época do presidente Sarney e do seu ministro Dílson Funaro. Lembram-se de uma maluquice chamada Plano Cruzado? Pois é...
Liga para um, liga para o outro e eu fico imaginando se ainda vivêssemos à época da Telebrás, a dona da telefonia estatal antes das privatizações de Fhc. Ia faltar linha telefônica e sobrar o risco de repique da inflação, como ocorria lá e então.
Às vésperas do carnaval é bom gritar: segura aí geeeeente...
quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
Os jovens de Santa Maria
Por Antônio Sérgio Altieri de Moraes Pitombo (*)
Transcrito do Migalhas
Qual Brasil?
Faz dois dias que não durmo. Leio sobre cada detalhe do incêndio em Santa Maria. Vejo todas as fotos. Procuro vídeos para conhecer a causalidade dos fatos. Observo o sofrimento dos pais. Quero conhecer os rostos dos que morreram. Deparo com imagens dos corpos. Vem uma dor de quem não pode ver o acontecimento, sem se colocar no lugar da vítima, do parente, ou do amigo.
arte de Simanca
Presenciei as consequências de muitas tragédias, como advogado. Muitas vezes, visitei locais de acidente. Infelizmente, em detrimento ao encanto com a vida, na memória, guardei cenas de crime e de mortos em estado incompatível com a beleza que compõe a integridade física do ser humano.
Não acho que envelheci tanto, nem me parece a desculpa da paternidade suficiente para justificar minha insônia e esse sofrimento que não me abandona. Esse amargo no céu da boca, de quem se sente inconformado. Também, não perdi a fé, a esperança no porvir em outra dimensão.
Na realidade, algumas percepções ordinárias me torturam e me obrigam a desabafar, sem qualquer outra intenção a não ser de falar com outros apaixonados por este país.
Sabemos todos que, em diversas atividades corriqueiras, há negligência. Assistimos desatenção de profissionais, quebra de deveres de cuidado, omissão na conservação de equipamentos, incapacidade técnica de operadores de máquinas, desrespeito a regras administrativas, desconsideração a experiências negativas que tornam reincidentes ocorrências mais do que previsíveis.
Também, sabemos que são, as prefeituras, uma fonte inesgotável de corrupção. Há cancros em diversos setores da administração pública das cidades, sendo evidente que a fiscalização de posturas municipais apresenta-se maneira de arrecadação indevida, sob a desculpa de que seria necessária para fins de campanha e de ideais de partido - pouco importa qual, ou a ideologia.
Aqui e ali, pessoas acabam por admitir que não conseguem se livrar das exigências desses funcionários públicos e sucumbem ao ilícito, até mesmo porque o Judiciário não lhes dá proteção para continuar os negócios e enfrentar o poder da localidade num campo de batalha justo, com prazo e custo razoáveis.
Portanto, o ocorrer dessa tragédia não advém de uma causalidade nova, ou mesmo desconhecida. Mostram-se concausas que conhecemos – conhecemos, porque presenciamos outras similares no nosso bairro, no nosso condomínio, em estabelecimentos nos quais adentramos, os mais variados, ontem e hoje.
Confessemos: o brasileiro - desde o café da manhã na padaria da esquina ao jantar no novíssimo restaurante, inaugurado em região imprópria para tal fim, sem alvará de funcionamento, sem respeito à legislação sanitária – convive, com complacência, com a ilicitude e se autodesculpa, pois a considera pequena perante outras vicissitudes do país.
Fingimos compreender a iniciativa privada e as mazelas do município, num caldo de que assim as coisas são, por origem, por história, por herança jurídica até. Voltamos a Cabral, ou mais generosos, blasfemamos sobre 1808 com a chegada de D. Joao VI et caterva.
Nessa linha do corriqueiro, esperamos o óbvio das notícias desses próximos dias. Mais manifestações emocionadas de autoridades do Executivo. Vereadores, deputados e senadores céleres na apresentação de projetos de lei em pretensa resposta ao que aconteceu. Judiciário eficaz no esquartejamento midiático dos novos bodes expiatórios - e, nesse ponto, não estou a defender quem quer que seja responsável pelo crime.
O tempo vai passar. O assunto há de caminhar ao esquecimento. Isso pode ser logo, inclusive. Vivemos na era digital, da internet e do e-mail, temos de ser rápidos. Mensagens curtas. Essa juventude dos que morreram consome os fatos, o fast food os tornou devoradores do fast thought. Eu sei.
Desculpe, não consigo dormir. Esse Brasil não faz parte do sonho. Não consigo dormir, sem me sentir culpado por não ser mais intransigente com o descuido dos particulares, bem como com a desídia do poder público. Não consigo dormir, pois me sinto culpado pelo país que permitiu o incêndio em Santa Maria.
Eu e você, de certo modo, matamos esses jovens por omissão. Não consigo mais dormir.
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* Antônio Sérgio Altieri de Moraes Pitombo é advogado do escritório Moraes Pitombo Advogados, é mestre e doutor na USP
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